Sábado, Julho 31, 2004

CAETANAGEM


Caetano + Simone: 14/08/2000 no ATL HALL (RJ)


Jóia emprestada

Quem deu a informação foi o site radiolaurbana.com.br. Está lá na
seção "Arca do Velho", escrita por Valdir Zwetsch: a música Asa
que Caetano Veloso assina como sua no disco Jóia, de 1975,
pega emprestada a melodia de Flauta Juruna, faixa recolhida pelos
irmãos Villas-Boas que consta do LP Xingu: Cantos e Ritmos,
lançado três anos antes.

Ao jornalista, Caetano respondeu por e-mail: " Não é uma mera
semelhança melódica. Eu pus as palavras sobre a música dos índios
do Baixo Xingu".
Atribuiu a falta de crédito à "desorganização" e concedeu:
"O crédito deveria ter saído no selo e na contracapa do disco."

Coluna Monica Bergamo, Folha de SP, 28 de julho de 2004.


Assim, o condicional deveria, durou até a levantada de bola do Zwetsch.
Pois, ora pois, pois: só 29 anos!

por aly . 1:11 PM .

Terça-feira, Julho 27, 2004


Garry Winogrand: World's Fair, New York, 1964
© Estate of Garry Winogrand


por aly . 5:54 AM .

Sexta-feira, Julho 23, 2004


Carmen Miranda em The Gang's All Here, direção de Busby Berkeley, 1943


Época - A comemoração em 2005 dos 50 anos da morte de Carmen Miranda
não resgatará a brasilidade?


Tinhorão - Faz-me rir. Carmen Miranda foi vítima do show business hollywoodiano.
Partiu linda e cheia de energia para a América e voltou dentro de um caixão,
desfigurada pelos calmantes.
Carmen Miranda foi como artista e retornou na forma de um produto morto.


Entrevista de José Ramos Tinhorão a Luís Antônio Giron: Rev. Época, 19/07/04

por aly . 3:02 PM .

Terça-feira, Julho 20, 2004

ANTONIO GADES

1936-2004

por aly . 8:28 PM .




Gustave Flaubert


"A moralidade da arte, encerra, para cada um,
aquilo que vai ao encontro dos seus interesses.
Ninguém ama a literatura!"

"Madame Bovary c'est moi."

"Le bon Dieu est dans le détail."

G. Flaubert




ORIGEM DE BOUVARD E PÉCUCHET


"Você já percebeu que me estou tornando moralista? Será um sinal de
velhice? Volto-me, certamente, para a alta comédia, pois sinto, por vezes,
atrozes pruridos de descompor os seres humanos, e fá-lo-ei um dia, daqui
a dez anos, num longo romance de larga enquadração.

Enquanto aguardo esse dia, acode-me uma velha idéia, a do meu Dicionário
das Idéias Feitas
.

Sobretudo o prefácio excita fortemente; e, dada a maneira como o imagino,
nenhuma lei poderá atingir-me, embora nele tudo ataque. Será a glorificação
histórica de todas as coisas aprovadas: demonstrarei que as maiorias têm
sempre razão e que as minorias estão sempre em erro; imolarei os grandes
homens e todos os imbecis, os mártires e todos os carrascos, e isto num
estilo inédito, de um só jato.

Assim, quanto à literatura, provarei facilmente que, por se achar ao alcance de todos,
o medíocre é o único legítimo, sendo preciso, por isso, desprezar toda a originalidade
como perigosa, estúpida, etc.

Uma tal apologia da canalhice humana sob todos os seus aspectos, irônica e
ululante de começo a fim, cheia de citações, provas (que provarão o contrário)
e textos terríveis (nada mais fácil), tem por objeto acabar, de uma vez por todas,
com as excentricidades, quaisquer que elas sejam.

Desta forma, abordarei a moderna idéia democrática a respeito da igualdade,
segundo o conceito de Fourier: os grandes homens tornar-se-ão inúteis, e direi
que foi para demonstrá-lo que escrevi este livro.

Aí se encontrará em ordem alfabética, e versando todos os assuntos possíveis,
tudo quanto se deve dizer em sociedade para ser um homem educado e amável.

Aliás, alguns verbetes poderiam prestar-se a esplêndidos desenvolvimentos,
tais como os de homem, mulher, amigo, política, costumes, magistrados;
pode-se, por outro lado, em poucos traços, apresentar alguns títulos e mostrar
não somente o que se deve dizer, como também o que é preciso parecer."

Carta de Flaubert a Louise Colet, dezembro de 1852 (excertos).


Nótula: Flaubert morreu em 1880 sem concluir B et P, obra publicada post-mortem do
autor, muitas vezes com o dicionário em apêndice, como na edição da Nova Fronteira,
RJ, 1981 - ou em separata: Estampa, Lisboa, 1974. As duas, consultadas para os verbetes
que publico, a seguir, em posts que virão. Se é q.


por aly . 3:12 AM .

Segunda-feira, Julho 19, 2004


Jack Nicholson & Jessica Lange em O Destino Bate à Sua Porta, 1981

por aly . 9:46 AM .

Sábado, Julho 17, 2004


Mario de Andrade por Lasar Segall


Desafio entre a Cavilosa e Jeróme

Ela
A onça ronca na serra
O lajero em baixo treme
Se tu cuidas que sou home
Tás enganado, sou feme.

Ele
A onça ronca na serra
O lajero treme em baixo
Se tu pensas que eu sou feme,
Tás enganada, sou macho.

Ela
Eu me chamo Cavilosa
Corto mais do que navaia,
Tenho uma saia de chita
E um paletó de cambraia
Se acaso levanto a perna,
O cara adiante desmaia.

Ele
Cavilosa tu não sabe
É preciso que eu te diga?
Se tu levantas a perna
A saia também arriba,
Mulher que encrenca comigo
Depressa cresce a barriga.

Ela
Peguei-me com Jeróme véio
No pátio da Conceição
Dei-lhe baque, dei-lhe estouro
Que abriu terra e tremeu chão.


Colhido por Mario de Andrade em Natal (RN): Notas de Viagem.

In O Turista Aprendiz: Viagens pelo Amazonas até o Perú, pelo
Maranhão até a Bolívia por Marajó até dizer chega -1927.
São Paulo: Duas Cidades, 1986.


por aly . 1:33 AM .

Terça-feira, Julho 13, 2004

TARZAN, O FILHO DO ALFAIATE

De Noel Rosa, na voz do aly,
nanaite de San Pablo


Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte
Nem conheço futebol
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
E eu passo o ano inteiro
Sem ver um raio de sol

A minha força bruta reside
Em um clássico cabide
Já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura
Mas que pesa e faz doer

Eu poso pros fotógrafos
E distribuo autógrafos
A todas as pequenas
lá na praia de manhã
Um argentino disse
Me vendo em Copacabana
No hay fuerza sobre-humana
Que detenga este Tarzan!

De lutas não entendo abacate
Pois o meu grande alfaiate
Não faz roupa pra brigar
Sou incapaz de machucar uma formiga
Não há homem que consiga
Nos meus músculos pegar

Cheguei até a ser contratado
Pra subir em um tablado
Pra vencer um campeão
Mas a empresa pra evitar assassinato
Rasgou logo o meu contrato
Quando me viu sem roupão.

Eu poso......

por aly . 10:09 AM .




Antonioni, dopo?

por aly . 8:25 AM .

Sexta-feira, Julho 09, 2004



"A necessidade de recursos faz com que seja criada
a Campanha 'Ouro para o Bem de São Paulo'.
Jóias indescritíveis, humildes alianças, correntes de relógio,
prataria de família, crucifixos e outros objetos religiosos são
doados por paulistas numa manifestação de fé na causa
constitucionalista: 'Ouro é Vitória',
proclama o bandeirante no outdoor da praça do Patriarca."



Ser Paulista! É ser grande no passado!
E ainda maior nas glórias do presente!
É ser a imagem do Brasil sonhado,
E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente!
Ser Paulista! É morrer sacrificado
Por nossa terra e pela nossa gente!
É ter dó da fraqueza do soldado
Tendo horror à filáucia do tenente!
Ser Paulista! É rezar pelo evangelho
De Rui Barbosa, o Sacrossanto Velho
Civilista imortal da nossa fé!
Ser Paulista! - Em brasão e em pergaminho
É ser traído e pelejar sozinho
É ser vencido, mas cair de pé!


São Paulo Grande e Forte - Publicada em agosto de 1932 pela Casa Bevilacqua,
a marcha triunfal São Paulo Grande e Forte, de Bellini Tavares de Lima, com letra
de Amando Soares Caiuby, tem um tom mais popular, com versos curtos.
Começa com a exclamação:


Oh! Heróis da minha terra
De São Paulo grande e forte
Vamos todos para a guerra
Enfrentar o Sul e Norte


A letra explica que o objetivo da luta é vingar a ofensa a que fora submetida
Piratininga no novo cativeiro; dessa luta deveria o Brasil ressurgir altaneiro.
A morte dos paulistas representaria a remissão do Brasil:


Que os irmãos dos vinte estados
sejam todos redimidos
Pelo sangue dos soldados
Dos paulistas destemidos


Tratava-se de renovar os "troféus da nossa história...", de conquistar a liberdade,
de libertar "de verdade o Brasil do cativeiro". Os paulistas surgem finalmente
como os bandeirantes da honra:


Para a frente bandeirantes,
Empunhemos o fuzil
Que esta terra de gigantes
Salve a honra do Brasil


parará tchibum, bum, bum,
parará tchibum.. bummm.. boommmm...

por aly . 11:06 AM .

Quinta-feira, Julho 08, 2004


Robert Crumb: Senior Moment

por aly . 7:07 PM .

Quarta-feira, Julho 07, 2004

IVAN, NA SUA DESPEDIDA DO BLOGOMONDO,
VOCÊ QUE É DOS MELHORES ESTILISTAS
NESTE MUNDÉU DE GENTE QUE TENTA SÊ-LO,
DOIS DE SEUS LEITORES, DENTRE TANTOS,
FALAM POR MIM:


Pronto acordaste mal disposto. Mas isso passa-te, e amanhã vais estar
cheio de vontade de escrever outro post. E depois?! Vais voltar a
escrever para a gaveta? Ao menos no MI tinhas a certeza de que não
iria perder o papelito.

abraço, Átila

Afixado por Atila em julho 6, 2004 09:53 AM
..................................................................................................................

o quê??? ó não... o meu bloguinho favorito! a escrita elegante e inteligente...
os fonixes mais curtidos da blogosfera...PôôÔ... tira os comentários, arranja
um porteiro para a selecção das entradas (o musaranho coxo está disponível)
mas... tu é que sabes, claro, mas lá que vou ter saudades... ":O(

Afixado por Zazie em julho 6, 2004 10:05 AM

Verdana em negrito e editada pelo Bulldogger Brasil, haja!!!
por aly . 8:53 AM .




Buster Keaton e Chaplin em Luzes da Ribalta:::1952

por aly . 3:30 AM .

Terça-feira, Julho 06, 2004

Correspondências

Sobre o rio Amazonas
o peixe vê vitórias-régias:
nuvens!

aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)

por aly . 11:21 PM .






Eu me lembro...

"O cinema na década de 20 era um espetáculo quase de gala,
você não ia ao cinema à noite a não ser de roupa escura e
gravata. Você não podia ir de terno claro. O Cine Rosário em
dia de estréia era o cúmulo da elegância, um desfile. O Central
foi o cinema mais chique de São Paulo. Foi o primeiro que abriu
duas salas, Vermelha e Azul. Era lá no Vale do Anhangabaú, em
frente ao Correio, onde havia uma avenida."

"O Jorge Fragomeni era quem gerenciava o Paramount da Brigadeiro.
O cinema nessa época era uma coisa muito, muito importante...
Um homem como o Fragomeni gerenciava cinema, porque as pessoas
que iam lá eram todas conhecidas dele, da alta sociedade. Hoje,
gerente de cinema é uma verdadeira desgraça. O Tabaris, também
no Anhangabaú, foi o primeiro cinema pornográfico. Eles cortavam
qualquer filme e faziam enxerto com cenas de fitas pornográficas
francesas. Só para homens; as mulheres passavam longe, do lado
oposto, nem perto chegavam."

"Em 1930 a censura estadual começou a proibir essas coisas. Nos três dias
de carnaval, para o público não fugir dos cinemas, o filme era exibido com um
pouco de luz na sala, para haver a batalha de serpentina e confete. Na época
do cinema silencioso, a fita tinha que ser acompanhada; ninguém agüentava
uma projeção sem música. Tem uma velha piada de fita de Semana Santa:
em uma cidade do interior, o pianista do cinema não apareceu - um porre de
domingo de Páscoa, sei lá - então arranjaram um pianista improvisado.
'Mas como é que eu vou fazer? O que vou tocar?' 'É fácil, o senhor olha e toca
de acordo com a cena'. Então, quando nasce o menino Jesus e todos vão beijar
os pés de Cristo, ele toca a música Pé de anjo. Depois, tem a Madalena
arrependida, e ele toca Margarida vai à fonte, vai sozinha... Na hora
da crucificação ele não sabia mais o que fazer, então tocou Tatu subiu
no pau..."

"Eu me lembro de uma fita sobre a Marcha sobre Roma que, quando apareceu o carão
do Mussolini na tela, foi preciso interromper o espetáculo, de tanta gente que gritava
contra e a favor. Então, não houve outro jeito a não ser interromper o espetáculo.
Vaiar cinejornais é coisa tipicamente nacional."

Depoimento de Dante Ancona Lopez a Inimá Simões, 1982 (excertos).
No catálogo da Mostra Dante Ancona Lopez: Núcleo de Cinema e Vídeo do CCSP, 2003.


por aly . 12:08 AM .

Domingo, Julho 04, 2004

SOPHIA DE MELLO BREYNER



I

Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

Sophia de Mello Breyner Andresen: Homenagem a Ricardo Reis, 1972

Amiga do Carlito Maia, que amava as pessoas que amava.

por aly . 3:08 AM .

Sábado, Julho 03, 2004



Marlon,

Vc foi como foi
& foi como sempre

Foi

Vamos, com vinte milhões
Devendo contraocapital

Eu chego lá, tá?

por aly . 12:13 AM .

Sexta-feira, Julho 02, 2004


Fontaine d'Adam et Eve en Riom


MACHO & FÊMEA

O leão a leonesa
O tigre a tigresa
O piano a pianesa
O martelo a martelesa
O turco a turquesa
O clavicórdio a clavicordesa
O serrote a serrotesa
O bordel a bordalesa
O avião a avionesa
O radar a radaresa
O bonde a bondesa
O veronês a veronesa
O pavês a pavesa
O touro a touresa.

O pavão a pavana
O paxá a pachorra
O rei-cláudio a rainha-cláudia
O macho a macha.

Murilo Mendes: Convergência, 1963-1966

por aly . 4:45 PM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



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