Quarta-feira, Dezembro 21, 2011 DE TERRY GILLIAN 。* 。
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˚ ˛ •˛• ˚ | 田田 |門| •
'CARTÃO DE NATAL'
Chove. É Dia de Natal
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa, in Cancioneiro,
por aly . 5:31 PM . Sábado, Novembro 26, 2011
COM VCS: PINA BAUSCH!
por aly . 9:17 PM . Terça-feira, Outubro 18, 2011 Spike Jonze: 'Mourir Auprès de Toi' (The Celebrated Filmmaker and
Designer Olympia Le-Tan Co-create a Tale to Pierce the Heart)
A aldeia escuta desolada
o canto da ave maltratada.
É o único pássaro da aldeia
e foi o único gato da aldeia
que o devorou pela metade.
A ave deixa de cantar.
O gato deixa de roncar
e de lamber o próprio focinho.
A aldeia faz ao passarinho
maravilhosos funerais,
e o gato, que foi convidado,
segue o caixãozinho de palha
onde o pássaro se amortalha,
conduzido por uma menina
que não para nunca de chorar.
— Se soubesse que isso te faria sofrer tanto,
diz-lhe o bichano,
eu o teria comido todo
e te contaria, depois,
que ele havia batido asas,
batido asas para o fim do mundo,
para um lugar tão longe
que ninguém nunca voltou de lá.
Tu sofrerias muito menos,
só um pouquinho de tristeza
e outro pouquinho de saudade.
Nunca devemos fazer
as coisas pela metade.
Jacques Prévert in Carlos Drummond de Andrade:
Poesia Traduzida. São Paulo: CosacNaif, 2011.
A leitura confere ao livro a existência abrupta que a estátua
"parece" reter do cinzel: esse isolamento que a furta aos olhos
que a veem, essa distância altaneira, essa sabedoria órfã que
dispensa tanto o escultor quanto o olhar que gostaria de voltar
a esculpí-la.
O livro tem, de um certo modo, necessidade do leitor para tornar-se
estátua, necessidade do leitor para afirmar-se coisa sem autor e
também sem leitor. Não é, de início, uma verdade mais humana que
a leitura lhe proporciona, mas tampouco faz dela algo de inumano,
um "objeto" uma pura presença compacta, o fruto da profundidade
que o nosso sol não teria amadurecido. Ela "faz" somente com que
o livro, a obra se torne — tornar-se — obra para além do homem que
a produziu, a experiência que nele se exprimiu e mesmo todos os
recursos artísticos que as tradições tornaram disponíveis.
O próprio da leitura, a sua singularidade, elucida o sentido singular do
verbo "fazer" na expressão "ela faz com que a obra se torne obra". A
palavra fazer não indica neste caso uma atividade produtora: a leitura
nada faz, nada acrescenta; ela deixa ser o que é; ela é liberdade, não
liberdade que dá o ser ou o prende, mas a liberdade que acolhe,
consente, diz sim, não pode dizer senão sim e, no espaço aberto por
esse sim, deixa afirmar-se a decisão desconcertante da obra, a
afirmação de que ela é — e nada mais.
Maurice Blanchot in O Espaço Literário. Rio de Janeiro: Rocco, 1987 (excerto) ズ
"O próprio leitor é sempre profundamente anônimo, é, não importa
que leitor, único mas transparente. Não acrescentando seu nome ao livro
(como o faziam outrora os nossos pais), apagando, pelo contrário, todos
os nomes, por sua presença sem nome, por esse olhar modesto, passivo,
intermutável, insignificante, sob a leve pressão do qual o livro aparece
escrito, à margem de tudo e de todos."
Maurice Blanchot, na obra acima citada,
por aly . 9:30 PM . Domingo, Julho 03, 2011 Alberto Giacometti em seu atelier: Paris, 1950 (Foto: Ernst Scheidegger)
À PROCURA DO ABSOLUTO
Ele sabe o que queria fazer e nós não o sabemos; mas sabemos
o que tem feito e ele ignora-o: mais da metade dessas esculturas
ainda estão presas à sua carne, é-lhe impossível vê-las: mal as
acaba, está já para além delas a sonhar com mulheres ainda mais
delgadas, ainda mais longas, ainda mais leves, e é graças à sua obra
que concebe o ideal em nome do qual a julga imperfeita. Isso nunca
acabará simplesmente por que um homem está sempre para além do
que faz. "Quando acabar", diz ele, "escreverei, pintarei, divertir-me-ei".
Mas morrerá antes de acabar.
Quem tem razão, ele ou nós? Ele, desde já, porque, como diz
Leonardo da Vinci, não é bom que um artista esteja contente.
Mas também nós — e em última instância. Kafka, no momento
da sua morte, queria que queimassem os seus livros, e Dostoiévski,
nos últimos tempos de sua vida, sonhava dar continuidade aos
Karamazov. Provavelmente, morreram um e outro com mau humor,
este pensando que não tinha ainda nada feito de bom, aquele
pensando que resvalaria para fora do mundo sem sequer o ter
arranhado. E, todavia, esses dois ganharam, para além do que
tinham podido pensar. Giacometti também; e ele sabe-o bem.
É em vão que Giacometti se agarra às suas esculturas como um avarento
ao seu dinheiro escondido; é em vão que ele retarda, temporiza, encontra
cem artimanhas para ganhar um pouco de tempo: os homens vão entrar
em sua casa, afastá-lo, levar todas as suas obras e até o gesso que
cobre o chão. Sabe-o, o seu ar de perseguido traiu-o: sabe que ganhou,
a despeito de si mesmo, e que nos pertence.
In Jean-Paul Sartre. Situações III. Europa-América: Lisboa, 1971 (excerto) ズ
"Ao contrário do classicismo, Giacometti restitui às esculturas
um espaço imaginário e sem partes. Aceitando de chofre a
relatividade, encontrou o absoluto. É que ele foi o primeiro que
soube esculpir o homem tal como o vemos, isto é, à distância."
Jean-Paul Sartre na obra supracitada,
por aly . 10:56 PM . Quarta-feira, Junho 15, 2011 Andy Warhol, Eddie Sedgwick e Chuck Wein: NYC, 1965
MAX'S: A TÁVOLA REDONDA DE ANDY WARHOL
Em nossa primeira visita só chegamos até a primeira sala. Sentamos
em um reservado, dividimos uma salada e comemos intragáveis
grãos-de-bico. Robert (Mapplethorpe) e Sandy pediram coca. Eu tomei
café. O lugar estava meio morto. Sandy conhecera o Max's na época em
que ali era o centro social do universo alternativo, quando Andy Warhol
passivamente reinava na távola redonda com sua carismática rainha de
arminho, Eddie Sedgwik.
As damas de companhia eram lindas, e os cavalheiros que as rodeavam
eram gente como Ondine, Donald Lyons, Rauschenberg, Dali, Billy Name,
Lichtenstein, Gerard Malanga e John Chamberlain. Entre os que ainda são
lembrados hoje em dia. Àquela mesa já se sentara toda uma realeza, como
Bob Dylan, Bob Neuwirth, Nico, Tim Buckley, Janis Joplin, Viva e o Velvet
Underground.
Era uma mesa tão obscura e glamourosa quanto se podia desejar. Mas,
correndo pela artéria principal, a coisa que no fundo acelerava seu mundo
e depois os acalmava era o speed. A metanfetamina, que ampliava a paranoia,
roubava parte do poder natural, drenava a confiança e saqueava a beleza.
Andy Warhol já não estava por lá, nem sua alta corte. Andy já não saía tanto
desde de que Valerie Solanas atirara nele, mas também era provável que já
tivesse se tornado proverbialmente entediado. Apesar de sua ausência, no
outono de 1969, ali era o lugar aonde ir.
A sala dos fundos era o porto daqueles que desejavam uma chave para o
segundo reino prateado de Andy, muitas vezes descrito como um lugar de
comércio mais do que de arte.
In Patti Smith. Só Garotos. São Paulo: Cia das Letras, 2011 (1ª reimpressão) ズ
"A chave da vida não é a riqueza do vivido, mas a capacidade
de tirar conclusões" Grotowski,
por aly . 2:02 PM . Terça-feira, Maio 24, 2011
From the documentary Coffee with Pina (2006) by Lee Yanor
Meus mortos não estão encarapitados
no alto das árvores
não são eles que balançam
os galhos quando eu passo nos dias de calmaria
não estão debaixo da terra nem voam pálidos
sobre minha cabeça debaixo do céu azul
Aparecem nos sonhos e desaparecem
quando são cinco ou seis da manhã
meus mortos são covardes
não têm coragem
de viver.
5 Poemas de Simone Brantes in Inimigo Rumor — Revista de Poesia:
nº 20, junho 2008 ズ
"Quem sabe a morte, no fim
das contas, seja uma coisa muito
natural, quem sabe rejeitá-la
seja algo, quem sabe, bastante
estúpido, algo assim como, quem
sabe, fechar o livro predileto
uma página antes do final."
Simone Brantes, na revista supracitada,
por aly . 12:35 AM . Quarta-feira, Abril 27, 2011 Gueixa ㋦ Foto por T. Enami (1859-1929)
AS ANTIGAS DAMAS JAPONESAS
As antigas damas japonesas
Distraidamente
Agitavam seus leques
No solitário mundo dos biombos
A distração
Porém
É uma forma superior de ocultação
E
Na aridez
Do seu íntimo domado
O rugido da raiva
Estava contido
Artisticamente comprimido
No extravagante cinto
Que traziam
Atado nas costas
Tocavam
Dançavam
Serviam o chá de joelhos
Num secular sequestro
Mas às vezes
Num intervalo do desvelo
Da honra e do pudor
Descobriam
O esquisito sabor
Que tem o crime.
Poema de Ana Hatherly In Sibila: Revista de Poesia e Cultura Ano 3 :: nº 5 :: 2003
"O mundo não dá a ninguém inocência nem garantia."
Guimarães Rosa,
por aly . 5:14 PM . Quarta-feira, Abril 06, 2011 Foto de Peter Lorre por Yousuf Karsh, 1946
FUMANDO
Pergunto: porque é que os não fumadores
sobem sem escrúpulos aos compartimentos
para fumadores? Porque querem impôr-se? Porque
parecem sempre nauseados?
Cigarro, meu velho amigo.
Passei contigo mais tempo do que com qualquer outro.
Estamos-nos a destruir mutuamente, num cordial
compromisso.
Pergunto: porque não apreciam
a nossa solidão,
o nosso valor ingénuo, nosso
fogo, cinza?
Do poeta Marcin Świetlicki,
por aly . 2:00 AM . Terça-feira, Março 29, 2011 Foto de Henri Dauman: Saul Steinberg, New York City, 1969
por aly . 3:07 AM . Sexta-feira, Março 11, 2011
PARA PREGAR NA PAREDE
Chaplin e Paulette Goddard em 'Tempos Modernos', 1936
"Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos
milhões de homens, celebram-nos como heróis."
Charlie Chaplin,
por aly . 7:02 AM . Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011 Todd McCellan: Apart Wind-Up Clock, 2010
Alegoria de Renascimento: a Experiência Florentina (excerto)
Em 1475, os Medici receberam uma máquina encomendada a um artesão: um
relógio. Marsilio Ficino o interpreta duplamente, como alegoria explicativa do
próprio procedimento de interpretação alegórica, e como alegoria do universo.
O relógio é alegoria do cosmos porque em sua forma visível se intui Deus, círculo
espiritual cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não se acha em
nenhuma. Alegoria sensibilizadora, o relógio é também um exemplo de intelecção
humana da arte, segundo Ficino, nos seguintes termos: não se pode compreender
como uma obra de arte foi feita por um artista se não se possui também, em mesmo
grau, a inteligência artística. O intérprete é movido pela simpatia, que é um 'sentir
junto'
Se consegue chegar a tal compreensão graças a correspondência da inteligência,
poderá também, depois de descobrir o mecanismo da obra, reproduzi-la, desde que
tenha a matéria adequada para fazê-lo.
Todos os homens são relojoeiros, desde que compreendam o mecanismo
e tenham a matéria adequada para produzi-lo. O relógio, contudo, também
alegoriza o universo, nele espelhado.
In João Adolfo Hansen. Alegoria: Construção e Interpretação da Metáfora São Paulo: Hedra/Unicamp, 2006 ズ
Uma adivinha portuguesa:
"Qual é a cousa, qual é ela,
Que faz coisas mui sentidas
E mesmo sem se mover
Orienta as nossas vidas?",
por aly . 9:32 PM . Sábado, Fevereiro 12, 2011
"A vida não imita a arte, a vida imita os piores programas de televisão."
Woody Allen,
por aly . 2:54 AM . Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011 (Logofake de autoria desconhecida)
por aly . 12:04 PM . Domingo, Janeiro 23, 2011 Pablo Picasso: Paris, Galllimard, 1945
DICCIONARIO SECRETO
Por Camilo José Cela (Vol. III)
Madrid: Alianza/Alfaguara,1974
Viga Es metáfora formal em óptimo señalamiento
(la pija semeja una viga).
Pija.
Samaniego, El Panadizo, vs. 97-104, en
D.T.H. de T. Cuentos diversos, pp. 57-58:
Pero Juana al sentirse
apenas embestida,
le dice ¡Ay Dios! ¡Qué dedo!
¡Qué gordo! No hay cabida.
Por Dios no me lo meta,
padre, que me aniquila.
Pasito... ¡Virgem santa!
Ya lo metió... ¡Qué viga! ズ
Sobre Saminiego, aqui,
por aly . 10:49 PM . Quinta-feira, Janeiro 13, 2011 Roland Barthes, circa 1970
O estágio do espelho: "tu és isto."
Mas eu nunca me pareci com isto!
— Como é que você sabe?
Que é este "você" com o qual você
se pareceria ou não? Onde tomá-lo?
Segundo que padrão morfológico ou
expressivo? Onde está seu corpo de
verdade? Você é o único que só pode
se ver em imagem, você nunca vê seus
olhos, a não ser abobalhados pelo olhar
que eles pousam sobre o espelho ou sobre
a objetiva (interessar-me-ia somente ver
meus olhos quando eles te olham):
mesmo e sobretudo quanto a seu corpo,
você está condenado ao imaginário.
“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas;
mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me
designa a especialidade do meu desejo" Roland Barthes,
por aly . 5:00 PM . Quinta-feira, Dezembro 30, 2010 NOUVELLE CUISINE (GEEK)
por aly . 4:38 PM . Segunda-feira, Dezembro 20, 2010 De Julian Murphy: Prendedor de Roupa, 1998
"Nous lézards aimons les Muses
Elles Muses aiment les Arts
Avec les Arts on s'amuse
On muse avec les lézards"
Queneau: Les Ziaux,
por aly . 8:50 PM . Segunda-feira, Dezembro 13, 2010 De Norman Rockwell: The Art Critic, 1955
"Faz-se crítica quando não se pode fazer arte, como quem se torna
delator quando não se pode ser soldado." Flaubert, Correspondance,
por aly . 12:40 AM . Segunda-feira, Novembro 22, 2010 Reco-Reco de Bambu
Re-percussão
O reco-reco:
Um eco de erres.
aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo) ズ
Clique imago e ouça o reco-reco
Postado originalmente aqui,
por aly . 7:55 PM . Domingo, Novembro 14, 2010 DARDOS
"O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro
emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais,
etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do
pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras
e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de
promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de
demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que
agregue valor à Web."
O blog português Coisas do Arco da Velha indicou o Letteri como
merecedor do Prêmio Dardos, concedido por blogueurs portugueses
a seus pares do blogomondo. Muy grato aos editores do Coisas do
Arco da Velha e, abaixo, nomeio os meus escolhidos do lado de cá
do Atlântico: ズ↓
Recebi hoje, tb, o Kula Colar,
prêmio do blog moçambicano
Ma-shamba, por seu titular JPT,
a quem agradeço.
por aly . 7:24 AM . Sexta-feira, Novembro 12, 2010 Barbabeau's Secret por Annette Tyson & Talus Taylor, 1980
"Uma só coisa me maravilha mais do que a estupidez com que
a maioria dos homens vive a sua vida: é a inteligência que há
nessa estupidez." Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego,
por aly . 6:26 PM . Segunda-feira, Outubro 18, 2010 Eldorado, litografia colorida por Jules Chéret, cartaz de 1894
O Cartaz
À medida que Chéret alcançou uma certa proeminência na Paris
de fim-de-século o mesmo aconteceu com a cherette como era
chamada a dançarina com ares de ninfa que dominou seus
desenhos. Flutuando de felicidade, ela aparecia na maioria das
vezes no vácuo como neste cartaz de 1894 para o Eldorado um
music-hall da moda. Ela era iluminada por baixo, como uma atriz
que se postava no brilho intenso das luzes da ribalta, mas
dispensava o palco, pairando inquieta contra o fundo. Suas
pernas não carregavam o peso do seu corpo e, ousadamente
descobertas, dançavam no ar, enquanto alguns palhaços a
contemplavam em adoração.
Ela era uma atriz, e seu charme era feito de artifício. Em sua atuação,
as maquinações do mundo do entretenimento eram combinadas às
artimanhas do artista, que a retocava e acentuava sua exposição
sexual ao mesmo tempo em que a afastava para uma zona indefinida
acima e além do seu perímetro usual.
Irriquieta e provocante, a cherette era uma figura de descarado
convite ao sexo, mas sua suspensão enfraquecia a corporalidade
da sua presença e removia a sua pantomima do desejo para o
reino da fantasia. Aparentemente, ela oferecia e transcendia seu
corpo em um único movimento.
Publicidade e Prostituição
Diversos escritores, incluindo alguns defensores do cartaz, traçaram
o mesmo paralelo. Uma jovem fez o papel de La Réclame (O Anúncio)
em uma pantomima de 1888, um tipo de hino à prostituição, do escritor
decadentista Félicien Champsaur; com termos piegas e alegóricos, ela
foi retratada conspirando na escravização gradual de uma jovem a seus
pretendentes. Para Champsaur, publicidade e prostituição eram variações
de um mesmo tema, a celebração alegre da beleza feminina para fins
comerciais.
Marcus Verhagen: O Cartaz na Paris Fim-de-século
In Leo Charney e Vanessa Schwartz (org.)
O Cinema e a Invenção da Vida Moderna São Paulo: Cosac & Naify, 2001 ズ
"O cartaz evoluiu junto com a florescente indústria do entretenimento.
Foi somente a partir de meados da década de 1890 que artistas como
Chéret foram chamados com regularidade para desenhar anúncios para
produtos alimentícios e bens de consumo; até então, eles estavam
preocupados em primeiro lugar com a promoção das novas casas de
lazer, cafés-concerto, music-halls, circos e hipódromos, os quais
ofereciam shows originais a preços moderados para audiências cada
vez maiores da Terceira República Francesa." Marcus Verhagen,
no livro acima citado,
por aly . 11:16 PM .
Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.